15 fevereiro, 2007
Súbdito inútil
(Fernando Pessoa)
Súbdito inútil de astros dominantes,
Passageiros como eu, vivo uma vida
Que não quero nem amo,
Minha porque sou ela.
No ergástulo de ser quem sou, contudo,
De em mim pensar me livro, olhando no alto
Os astros que dominam
Submissos de os ver brilhar.
Vastidão vã que finge de infinito
(Como se o infinito se pudesse ver!)
—Dá-me ela a liberdade?
Como, se ela a não tem?
Ricardo Reis - Odes De Ricardo Reis
Tão cedo passa tudo quanto passa!
(Ricardo Reis - Fernando Pessoa)
Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.
08 fevereiro, 2007
05 fevereiro, 2007
25 janeiro, 2007
20 janeiro, 2007
19 janeiro, 2007
Soneto do maior amor
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
Vinícius de Moraes
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
Vinícius de Moraes
17 janeiro, 2007
IRONIA
“Não há maior tragédia do que a igual intensidade, na mesma alma ou no mesmo homem, do sentimento intelectual e do sentimento moral. Para que um homem possa ser distintivamente e absolutamente moral, tem que ser um pouco estúpido. Para que um homem possa ser absolutamente intelectual, tem que ser um pouco imoral. Não sei que jogo ou ironia das coisas condena o homem à impossibilidade desta dualidade em grande. Por meu mal, ela dá-se em mim. Assim, por ter duas virtudes, nunca pude fazer nada de mim. Não foi o excesso de uma qualidade, mas o excesso de duas, que me matou para a vida.”
Álvaro Coelho de Ataíde
Álvaro Coelho de Ataíde
Décimo quarto Barão de Teive (semi-heterónimo de Fernando Pessoa)
Ao ler este texto de Fernando Pessoa não consegui ficar indeferente a esta ironia.
Moral/Estúpido
Intelectual/Imoral
10 janeiro, 2007
Mais um passo contra o HIV

Foi desenvolvido por cientistas norte-americanos um novo preservativo líquido, que poderá ser um bom aliado no combate a SIDA
"Os especialistas apresentam o desenvolvimento da nova tecnologia na edição de 11 de Dezembro da publicação científica Journal of Pharmaceutical Sciences e indicam que, possivelmente, só será testado em humanos no espaço de cinco anos e estará disponível ao público em dez anos." Link
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