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18 maio, 2007

Estranho

Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
de quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
de quem já só por dentro se ilumina
e surpreendee por fora é
apenas peso de ser tarde. Como é
amargo não poder guardar-te
em chão mais próximo do coração.

Daniel Faria

11 janeiro, 2006

Palavras...

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

"Eugénio de Andrade"

27 dezembro, 2005

31 Dez ....

Ah, tudo é símbolo e analogia!

O vento que passa, a noite que esfria,

São outra coisa que a noite e o vento

Sombras de vida e de pensamento.

Tudo o que vemos é outra coisa.


A maré vasta, a maré ansiosa,

É o eco de outra maré que está

Onde é real o mundo que há.

Tudo o que temos é esquecimento.


A noite fria, o passar do vento,

São sombras de mãos, cujos gestos são

A ilusão madre desta ilusão.
 Fernando Pessoa